Notamos que a junção de públicos de uma organização atinge dimensões grandiosas, o que faz com que a mesma tenha que estar preparada para atuar num cenário complexo onde qualquer ação sua, poderá impactar ou ser impactada por milhares – ou milhões – de pessoas.

O primeiro passo para qualquer estratégia em comunicação é o conhecimento profundo do público que se quer atingir. Para uma organização, a consciência dos seus diversos públicos se faz essencial para a efetividade de qualquer ação, afinal, são eles a sua
razão de ser, bem como, é deles o poder de a sustentar ou a destituir no meio organizacional.

Ocorre que, infelizmente, boa parte das empresas e instituições ainda concebe como seus públicos, apenas os clientes e funcionários. Essa visão reducionista e cartesiana da presença da mesma na sociedade, reflete negativamente no resultado de suas ações, bem como, no estreitamento das suas possibilidades de atuação. Tal ótica menospreza a rede de conexões que compõe uma organização e corrobora para a edificação de uma miopia empresarial que desconsidera os relacionamentos que não lhes tragam lucro imediato. Desta forma, não enxerga alguns fatores intangíveis e imprescindíveis à qualquer instituição, como imagem e reputação, por exemplo.

Diante disso, se faz essencial o entendimento dos múltiplos stakeholders que fazem parte do cenário organizacional. Cada um, da sua maneira e modo direto ou indireto de interferir, colabora para o sucesso ou fracasso de um negócio ou instituição. É nessa égide que a comunicação e, em especial, as técnicas de relações públicas podem fazer a diferença na elucidação e classificação deles. Para Waldyr Gutierrez Fortes, no livro Relações Públicas – processo, funções, tecnologia e estratégias, “classificar os públicos e reconhecer seu comportamento requer um alto grau de competência, porque os públicos autênticos comporão a opinião pública, equilibrando o interesse privado com o interesse público, em mútua compreensão”. Por isso, cabe uma análise criteriosa para projetar e estabelecer as relações e articulações da empresa com seus variados stakeholders, considerando sempre a peculiaridade de cada um deles ao comunicar-se.

publicosOs públicos de uma organização extrapolam as barreiras físicas e geográficas, pois não ficam restritos somente àqueles com os quais ele interage diretamente. Muitos deles, nunca foram na sua sede física, nem compraram seus produtos, mas têm a capacidade de por meio do seu poder, ou sua rede de relações, apoiar, julgar, difamar, elogiar ou até mesmo coibir, e, dessa forma, interferir positiva e negativamente para reputação e imagem de uma empresa. E isso, mais cedo ou mais tarde, repercutirá nos seus resultados financeiros e na sua existência na sociedade.

Mas então, como saber quem são todas essas pessoas (físicas ou jurídicas) que podem interferir no cenário organizacional? Segundo a teoria de Fábio França, podemos classificar os públicos em três categorias. A primeira se refere aos públicos essenciais – aqueles ligados ou não juridicamente à organização e dos quais ela depende para sua constituição, manutenção, sobrevivência e execução de suas atividades. Essa categoria se divide em dois segmentos de classificação: os constitutivos e os não – constitutivos ou de sustentação. Os constitutivos são os públicos que possibilitam a existência da organização, como, investidores, sócios, conselhos administrativos e governos com seu poder de autorizar ou não seu funcionamento. Os não constitutivos ou de sustentação são aqueles imprescindíveis para que a organização se consolide e se mantenha no cenário de atuação. Exemplo, os clientes e funcionários. Ainda, estes públicos de sustentação podem ser classificados em duas categorias: primários e secundários. Os primários são os quais a organização depende para viabilizar seu empreendimento. Os fornecedores se enquadram nessa categoria. Os secundários contribuem para sua viabilização em menor nível de envolvimento. Empresas de terceirização são um exemplo disso.

A segunda categoria indicada por França refere-se aos públicos não essenciais, estes não participam das atividades fim da organização, mas da prestação de serviços ou intermediação política e social. Para estes, existem quatro subdivisões: Redes de consultoria, divulgação e promoção da organização; Redes de setores associativos organizados; Redes de setores sindicais e Redes de setores da comunidade.

A terceira categorização de públicos é a que concerne às redes de interferência. Nela, se inclui todos os públicos do cenário externo da organização e que possuem algum poder ou representação para formação da opinião pública. Aqui podemos listar os concorrentes, parceiros, redes de relacionamentos internacionais, ativistas, redes de comunicação de massa.

Diante disso, notamos que a junção de públicos de uma organização atinge dimensões grandiosas, o que faz com que a mesma tenha que estar preparada para atuar num cenário complexo onde qualquer ação sua, poderá impactar ou ser impactada por milhares – ou milhões – de pessoas. Então, para as empresas e entidades (com ou sem fins lucrativos) fica a dica: sempre considerem essa ampla cadeia de conexões a que estão sujeitas ao tomarem qualquer atitude.

Referências:
FORTES, Gutierrez Waldyr. Relações Públicas – processo, funções, tecnologia e estratégias. 3 ed. São Paulo: Summus, 2003. FRANÇA. Públicos: como identificá-los em uma nova visão estratégica. São Caetano do Sul, SP: Yendis Editora, 2004

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