A dominação do inconsciente

A dominação do inconsciente

Quando uma questão chega à nossa consciência, ela já havia sido previamente decidida em uma parte de nossa mente a que não temos acesso.

Quem não se lembra da clássica trilogia Matrix? No qual os habitantes viviam em uma terra de ilusões onde tudo era estruturado por algoritmos que mascaravam a realidade. O mundo real era totalmente diferente, para ter acesso era preciso ser “libertado”.

Estranho não é verdade? A ficção científica retratada neste filme tem impacto direto pela “ciência imaginada” sobre a sociedade e indivíduos, ou será que podemos tirar outras conclusões? Proponho uma viagem a partir de agora para dentro do seu inconsciente, onde a dominação – podemos dizer da “matrix” – manipula suas ações muito mais do que já ousou pensar.

inconscienteA neurociência demonstra que 95% das nossas decisões são inconscientes, ou seja, praticamente agimos por impulso, baseados em algumas premissas que, conforme pesquisas atuais, são justificadas por experiências que tivemos e ficaram ocultas, ou até mesmo relacionadas à nossa genética.

Então quer dizer que apenas 5% das ações tomadas são conscientes? Basicamente sim. De acordo ao professor Marcelo Peruzzo (da FGV Management e CEO do Ipdois Neurobusiness) os consumidores não possuem acesso consciente a todos os recursos referentes às suas decisões e comportamentos, fica claro que os clientes não podem nos dizer claramente por que eles fazem e como eles fazem. Isso prova que cada vez mais a junção de neurociência ao marketing pode nos revelar o que nosso inconsciente tem guardado, mudando a forma como entendemos a realidade.

Neste ponto, podemos resgatar a questão da memória, que possuem características ligadas diretamente ao tempo, conteúdo e função, além é claro, da divisão consciente e inconsciente. Mas seria possível estabelecer memórias inconscientes? Se elas ficam ocultas como iremos acessá-las? O interessante desta análise é entender primeiramente que as memórias conscientes retêm informações nas quais somos capazes de buscar e utilizar no nosso dia a dia, já as inconscientes, são memórias que alteram nosso comportamento, sem que tenhamos a capacidade consciente de evocá-las, exemplo uma compra por impulso (Seria possível, então, produzir situações capazes de alterar a realidade? Claro que sim! A nossa consciência pode oferecer mecanismos protetores, porém há tantos outros que induzem emocionalmente nossa mente que são capazes de confundir – Veja mais em Demonização do Consumo: O Consumismo).

A ilusão ótica é um dos pontos básicos no qual o nosso cérebro pode criar nossa realidade. Nanci Azevedo Cavaco (psicopedagoga e neurocientista) traz um teste simples que utiliza deste recurso, vamos ver?

Nosso cérebro cria nossa realidade

A percepção que temos do mundo, mais do que uma imagem exata do meio físico que nos rodeia, é uma construção feita pelo nosso cérebro. Vejamos como funciona:

  1.  Com uma folha de caderno de aproximadamente 30cm de comprimento, faremos um canudo (como cilindro de aproximadamente 3cm de diâmetro).
  2.  Segurando o canudo diante de um dos olhos, vemos através dele, mantendo o outro olho fechado.
  3.  Fixemos a vista em um objeto qualquer.
  4.  Colocando a mão aberta encostada no canudo, a uns 15cm diante do olho livre, devemos olhar o mesmo objeto com os dois olhos abertos.

Resultado

Usando os dois olhos, temos a impressão de estar vendo através de uma mão “furada”.

O que está acontecendo?

O cérebro funde os impulsos nervosos recebidos de cada olho e as imagens se completam. Como dificultamos a visão de um dos olhos, o cérebro, ao fundir os impulsos, dá a impressão de que a mão está furada.

Esta questão da realidade é altamente discutível, pois envolve a percepção de cada um, principalmente baseada na experiência que possuímos. Em contrapartida, novas pesquisas tentam provar que o livre-arbítrio não existe, fundamentando que as decisões seriam tomadas automaticamente por nosso cérebro e não teríamos controle sobre isso. Pode ser um pouco radical esta colocação, porém Michael Gazzaniga (neurocientista e professor da Universidade da Califórnia) diz que nossas decisões são programadas automaticamente a partir do que trazemos em nossa carga genética e das experiências de vida que tivemos. Quando uma questão chega à nossa consciência, ela já havia sido previamente decidida em uma parte de nossa mente a que não temos acesso.

É um tanto assustador pensar desta maneira, que estaríamos reféns de nosso inconsciente, ousar a comparar a uma possível Matrix, porém o neuromarketing através de seus recursos tem surtido muito efeito e alcançado bons resultados para venda de produtos e basicamente acreditamos que tudo continua como antes, são mudanças imperceptíveis a nossa realidade, afinal a rotina já ocupa muito espaço do nosso tempo não é verdade?

Abraço e até a próxima!

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Eduardo Silva

Apaixonado pela vida e suas surpresas, adora uma boa conversa. Especialista em Planejamento Comercial, é palestrante em negociação e vendas.

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