Vídeo publicitário já foi o vilão das baixas verbas. Não é a toa que no meio é chamado de ‘filme’, pois além da execução em película, uma produção para ser considerada realmente boa, um filme com digna produção cinematográfica se fazia necessária. Não que deixaram de existir nem de ter ser brilho próprio, mas a boa nova para os publicitários que nem sempre podem produzir um vídeo capaz de concorrer em Cannes, é a democratização da peça. Não falo somente da tecnologia para produção em si, mas principalmente pelas formas de veiculação. Quando produzir um 30 segundos para exibição em rede nacional, chega a atingir o investimento de milhões,  uma produção com mais tempo, mais interação e nem por isso menor alcance geográfico requer em alguns casos apenas uma câmera e uma boa ideia: os vídeos para web.

 ALGUNS DADOS:

O vídeo é um dos formatos de conteúdo mais consumidos da rede, tendo o Youtube como o segundo buscador mais utilizado do mundo, ficando para trás apenas do Google.  De acordo com um estudo da Cisco, haverá um crescimento de tráfego de dados global de mais de 30% até 2014. O vídeo online deverá representar, sozinho, 57% de todo o tráfego on-line.

Os tabletes e smartphones são grandes responsáveis por isso, mas também algumas peculiaridades – por exemplo, o trânsito. Uma vez que o indivíduo passa por horas preso ao trânsito, assistir vídeos on-line cada vez mais se torna alternativa e ganha adeptos.

Vídeos corporativos

Fonte: http://bit.ly/Uoz2Af

Para ganhar audiência, deve-se levar em consideração o formato ideal para cada tipo de público. Por exemplo, o vídeo-cast, vídeo em formato de programa, precisa ter uma periodicidade e um estilo próprio. Foi assim que o canal do Jovem Nerd ganhou adeptos no formato de videocast. Outro formato que há muito tempo já conquistou o mundo, são dos TED Talks – palestras que reúnem os maiores inovadores do mundo em vídeos de até 18 minutos sobre os mais diversos temas. Como as empresas usam o formato? É só dar uma olhada os vídeos da Endeavour – que além de inspirar também com seus vídeos, posiciona o seu negócio como desenvolver de empreendedores. 

No Brasil, vemos também a evolução de plataformas, redes sociais e empresas especializadas em vídeos, estimulando empresas a colocarem a cara na web, como o videlog.tv – o primeiro da América Latina a lançar uma ferramenta para compartilhamento de vídeos em alta definição para usuários com conexão de baixa velocidade. Ou o aplicativo SocialCam, o aplicativo mobile da Justin.tv, que permite aos usuários subirem e compartilharem vídeos em tempo real através do Facebook e Twitter. Amigos do usuário poderão ver os vídeos ao vivo, sem ter de navegar pelas redes. Mas antes de pegar uma câmera e sair por aí falando da sua marca, é sempre bom lembrar dos bons e velhos conceitos de comunicação – qual seu público? qual seu objetivo? 

ASSUNTO DE QUEM ENTENDE:

 Thiago Rosente, da Scherzo, empresa especializada em vídeos para web, ressalta que a utilização do vídeo por parte das marcas nas redes sociais, exige dos profissionais a aplicação dos mesmos conceitos que norteiam a comunicação em vídeo na rede em geral, como segmentação do público, manutenção de um ritmo narrativo dinâmico e atraente, o respeito a uma duração razoável, tudo isso aliado a uma ideia original. E dá a dica para ir a fundo, não apenas fazer algo intuitivo, mas pensar no receptor, no público, conhecendo e estudando bastante o produto. Thiago ainda defende a ideia de “Narratologia Extremada”, no qual as pessoas devem buscar no seu produto um diferencial básico e transformá-lo em um conceito visual que beira o absurdo… o extremo… ela deve encontrar o anti-herói que existe em cada produto.

Quando o assunto é a produção e conteúdo, Jonathan dos Santos, da VídeoCafé, lembra que empresas maiores, mais acostumadas a anunciar em televisão, tendem a obrigar os espectadores a assistir suas campanhas (não é assim na TV?) e fazem o mesmo na internet, ao invés de criar um conteúdo próprio. 

É melhor comprar roupas com quem entende de moda ou com quem só vende roupas? É melhor comprar cerveja com quem entende mesmo de cerveja ou com quem vende aquela cerveja qualquer?

Em contra-partida, Jonathan destaca que também existem empresas de grande porte que investem em bons conteúdos, com uma ação mais transmidia em vez de crossmidia e desenvolvem conteúdos específicos para a web, que levam em consideração o poder de interação do usuário e explorando o conceito de admiração da marca. O espectador que assiste um conteúdo útil produzido por uma empresa, tende a lembrá-la na hora de fazer suas compras. Exemplo de conteúdo desenvolvido exclusivamente para a web: Marisa e dicas de moda.

Para mim, os benefícios do vídeo para a construção da imagem da empresa estão diretamente ligados à ligação consumidor-empresa. A empresa mostra que entende muito daquilo que faz/vende e o consumidor cria um sentimento de admiração por esse know-how da empresa, isso é um fator diferencial na hora da compra. É melhor comprar roupas com quem entende de moda ou com quem só vende roupas? É melhor comprar cerveja com quem entende mesmo de cerveja ou com quem vende aquela cerveja qualquer?

Não acredito muito em vídeos informais. Quando uma empresa produz vídeos informais, ela parte para uma comunicação “sincera demais” e acaba revelando seus pontos fracos, isso pode ser destrutivo para uma imagem que ela lutou para construir. Se quer um vídeo informal, contrate um profissional para que ele pareça informal. Existem muitos estudos e teorias para fazer um vídeo/ filme parecer real, e assim deve ser feito.

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Diretora de Planejamento da i9 Comunicação e Inovação, co-founder da co-Event.co, atuou como Account Manager da YDreams Brasil. Colunista do blog Ideia de Marketing, co-organizadora do TEDxPortoAlegre, TEDxCuritiba e Startup Weekend no Paraná. Em constante estudo/prática nas áreas de planejamento criativo, gestão do conhecimento, empreendedorismo e inovação.