Para Domenico de Masi, a rede social é um instrumento definitivo, onde a cultura é distribuída “de muitos para muitos”, e este quesito é imprescindível em nossa evolução, onde o trabalho em grupo começa a ser uma tendência efetiva na resolução de questões e criação de novos produtos.

Você já deve ter ouvido por aí a expressão “ócio criativo”, certo? Mas sabe o que realmente significa esta teoria do sociólogo Domenico de Masi? Bem, o ócio criativo é uma proposta que visa unir atividades como trabalho, tempo livre e estudo, ou seja, ele é alcançado quando trabalhamos, nos divertimos e aprendemos ao mesmo tempo.

A intenção desta mescla é que a criatividade seja mais presente com menos trabalho e mais tempo livre e, assim, nosso tempo seria mais bem aproveitado. De Masi ainda lembra que é preciso educar para o ócio criativo, já que a sociedade pós-industrial se encarrega de querer ocupar o nosso tempo livre com filmes, programas inéditos ou novos sabores que precisamos provar. Além disso, a sociedade não esta adaptada à sua era pós-industrial, segundo o sociólogo. Nosso país continua a seguir um modelo que já mostrou possuir defeitos – EUA – e as escolas e empresas continuam presas a um modelo de ensino pouco estimulante e inovador.

As escolas, não só as brasileiras, não buscam fazer a intersecção do tempo livre, estudo e trabalho, mas somente entre estudo e trabalho. O estudar é transmitido como uma atividade chata e pesada e as crianças são ensinadas a serem trabalhadores eficientes no futuro. Para mudar este quadro é necessário, além de professores adaptados à era, atividades lúdicas, momentos de descontração, reflexão e questionamentos.

O ócio criativo possui bloqueios em diversos setores e um deles são os próprios ambientes de trabalho, muitas vezes tristes e que nos lembram a todo o momento que estamos ali TRABALHANDO e nada mais…

As universidades também parecem não estar aos moldes da nova era. Todas formam o profissional sem misturar disciplinas, como se fosse uma produção industrial em alta escala e os estudantes, o produto final formado por peças, cada uma desenvolvida por um profissional especializado…é para se pensar, não é?

De qualquer forma, o número de trabalhadores intelectuais já ultrapassa o de trabalhadores braçais e este já é um grande passo rumo ao ócio criativo:

“Com o aumento do trabalho intelectual no sistema produtivo, notei que havia uma distinção cada vez mais tênue entre o trabalho propriamente dito e a criatividade. E sendo a criatividade a principal ferramenta do trabalho, fica difícil distinguir os momentos em que estamos de fato trabalhando duro ou os momentos em que, mesmo usufruindo de tempo livre, estamos criando coisas. Isso acontece comigo: não sei quando estou trabalhando ou me divertindo — estou sempre tendo ideias, criando. Então, estudando esses grupos de trabalho sustentados pela criatividade, percebi que todos trabalhavam com o auxílio de jogos, brincadeiras, atividades lúdicas”

Onde estão as falhas?

O ócio criativo possui bloqueios em diversos setores e um deles são os próprios ambientes de trabalho, muitas vezes tristes e que nos lembram a todo o momento que estamos ali TRABALHANDO e nada mais, o que nos carrega emocionalmente e nos cansa com facilidade…parece até utopia a frase de De Masi: “Não sei quando estou trabalhando ou me divertindo”.

A rotina também é um impedimento:

“A rotina, como a burocracia, a falta de objetivos, os objetivos não compartilhados são barreiras à criatividade. As pessoas têm de se livrar desses fatores para tocar melhor os seus negócios, serem mais inovadoras, mais criativas. A criatividade é o instinto que distingue os homens dos animais. Quanto mais criatividade tivermos, mais nos distinguiremos”

A distribuição de tarefas e atribuições é outro problema. É comum pais de família trabalharem até 12 horas por dia enquanto seus filhos adolescentes ficam em casa de pernas pro ar o dia todo. O pai se torna estressado e o filho depressivo. Não seria perfeito se todos pudessem trabalhar 4 ou 5 horas por dia? Haveria tempo para a família, para diversão e para criatividade.

“É necessário dividir melhor o trabalho, a riqueza, o poder, o saber, as oportunidades e as tutelas”

E a esperança?

Para Domenico de Masi, a rede social é um instrumento definitivo, onde a cultura é distribuída “de muitos para muitos”, e este quesito é imprescindível em nossa evolução, onde o trabalho em grupo começa a ser uma tendência efetiva na resolução de questões e criação de novos produtos.

Até o desemprego pode desenvolver o ócio criativo, mas o sociólogo é bem realista quanto a isso:

 “Se o desempregado é rico, então tudo bem! Há dois tipos de desempregados: o pobre financeiramente e intelectualmente e o rico financeiramente e com boa formação intelectual. Esse pode se ocupar de música, literatura, cinema e tem mais chances de desenvolver seu ócio de maneira criativa. O pobre precisa comer, precisa de dinheiro. O pobre tem de se ocupar com a sobrevivência. O ócio criativo é um problema de ricos, para quem já tem um mínimo de estrutura garantida.”

Fonte: Todo o texto foi feito com base na leitura de estudos e entrevistas do sociólogo Domenico De Masi

Sugestões para leitura: A emoção e a regra; Criatividade e Grupos Criativos; O ócio criativo – Domenico De Masi

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Jussara Coutinho

Jornalista com experiência em e-commerce e mídias digitais. Adora falar sobre comportamento e encontrar pessoas que discordem dela com bons argumentos.

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