Mercado de luxo: ser bem sucedido já não depende apenas do diploma

Mercado de luxo: ser bem sucedido já não depende apenas do diploma

Desde quando começamos a planejar nossa vida profissional colocamos como prioridade o ensino superior. No entanto, já há algum tempo, o mercado exige mais do que o diploma, e ser graduado na sua área não é mais garantia de sucesso.

O que vemos são muitas pessoas formadas e que, ou estão insatisfeitas com a profissão ou trabalham numa área totalmente distinta da que escolheram. Por que isso acontece?

Parte da frustração está na remuneração do empregado. Na maioria das vezes uma pessoa recém-formada espera ter de volta todo o investimento que fez na faculdade, e os salários com que se depara no mercado podem ser decepcionantes.

a melhor forma de ser um profissional melhor nem sempre está no estudo e sim na prática.

Outro ponto está simplesmente no que você, como pessoa e funcionário, tem a oferecer. Boas empresas buscam profissionais que entendam o mercado atual, que conheçam a marca que querem trabalhar, e “tenham capital humano”. Não importa a quantidade de informações ou diplomas que você possui, mas sim como você aplica seu conhecimento adquirido. O que você pretende fazer com o que está absorvendo?

As pesquisas de Michael Eraut

Michael Eraut é professor e cientista da Universidade de Sussex, no Reino Unido, e um dos maiores especialistas em aprendizado no trabalho.

Em suas pesquisas, Michael afirma que a melhor forma de ser um profissional melhor nem sempre está no estudo e sim na prática. O cientista diz que a maior fonte de conhecimento de um profissional está no que ele faz no cotidiano.

Em um trabalho em equipe, com erros, tentativas e observações o profissional pode agregar cada vez mais valor ao seu trabalho. Podemos não nos dar conta, mas nessas pequenas interações podemos extrair e acumular vivências e aprendizados para nossa carreira.

“As pessoas adquirem saber de duas maneiras. De um lado, estão cursos, conferências e coachings, atividades em que o profissional tem de parar o que está fazendo para aprender. De outro ficam as coisas que se aprendem durante o trabalho: fazer parte de uma equipe, relacionar- se com clientes e enfrentar problemas. Essas ações, apesar de não terem o aprendizado como objetivo principal, representam algo entre 70% e 90% das competências de uma pessoa.”

Desta forma, devemos exercitar nosso aprendizado “oculto” enquanto trabalhamos. Podemos nos aperfeiçoar a partir de atitudes simples, tendo iniciativa, mostrando interesse em resultados, observando nossos supervisores e colegas e interagindo com eles.

O promissor mercado de luxo

O mercado de luxo está em expansão no Brasil, e os profissionais que se dedicam a trabalhar nesse segmento estão cada vez mais satisfeitos.

As empresas estão muito mais exigentes e querem excelência no atendimento. O cliente deve ter a mesma sensação de estar consumindo no exterior. Para isso, algumas organizações oferecem treinamento na Europa ou EUA. E isso aconteceu, inclusive, com joalherias do novo shopping JK Iguatemi.

“A porta de entrada deste mercado está na área de vendas. Para os vendedores, o salário varia de R$ 7 mil a R$ 10 mil. Um subgerente ganha R$ 14 mil, gerente entre R$ 16 mil e 18 mil e diretor de R$ 40 mil a R$ 60 mil.”** Os salários são extremamente atraentes e não por menos tem motivado pessoas a se preparem para serem vendedores desse setor. Pontos positivos para fazer parte dele são ter vivência no exterior e falar no mínimo o inglês. Também é imprescindível conhecer a marca e atender com gentileza (falar com tom moderado de voz e português correto). Já o nível superior não é exigido.

Fábio Kwasek Von Reuschwanstein, 28, já trabalhou como Comissário de Bordo, Chefe de Vôos Intercontinentais na Tam e também como Instrutor de Vôo. Hoje, Fábio se dedica à marca Gucci, e é vendedor da loja há quatro meses. Sua formação não envolve curso superior, mas conta com cursos no exterior voltados para a Moda, Vendas e Mercado de Luxo. O vendedor ainda fala quatro idiomas e já conheceu 40 países. Assim, fizemos uma pequena entrevista com o vendedor para conhecer melhor esse segmento e também sobre a rotina de um profissional da área:

Fábio Kwasek Von Reuschwanstein
“…lidar com o consumo e o desejo das pessoas é algo único. Cada cliente se torna exclusivo.”

Você sempre trabalhou nesse segmento?

Trabalhei antigamente e retornei faz alguns meses

Como foi o processo seletivo para trabalhar na Gucci?

O processo de recrutamento foi feito por uma empresa chamada Golbal. Tive entrevistas com diversos profissionais da empresa, superiores, gerentes e diretores. 

A empresa oferece plano de carreira?

Super plano de carreira, em longo prazo, muito incentivador, inclusive pra quem almeja morar no exterior.

Você recebeu ou recebe treinamento? Que tipo?

 Sim, através de palestras, viagens ao exterior, sede de empresa, workshops, fábrica, livros sobre a História da Marca e etc…

Você esta satisfeito com sua rotina?

Sim, é um trabalho muito atribulado, corrido às vezes, cansativo, mas gratificante, bem movimentado e bem remunerado.

…é responsabilidade de cada um de nós do setor fazer de cada vinda do cliente a loja, uma experiência única…

Quais as principais habilidades e competências para atuar neste setor?

Saber dialogar de uma forma agradável, convincente e “conhecedora do que está vendendo”. Educação, bom senso, sutileza, ética e discrição… Dominar mais de um idioma se torna imprescindível, ser uma pessoa atualizada, bem informada sobre absolutamente tudo e saber ouvir, ser paciente… Venda no mercado de luxo é uma troca, é responsabilidade de cada um de nós do setor fazer de cada vinda do cliente a loja, uma experiência única, independente da venda. O cliente quando se dirige a uma marca de alto luxo deseja não só um produto luxo, mas uma experiência total de alto luxo, um encantamento, desde o contato por telefone, às boas vindas, a apresentação dos produtos, o diálogo único, persuasivo, o fechamento da venda e principalmente o pós venda e a fidelização.

Pretende continuar no setor?

Com certeza, lidar com o consumo e o desejo das pessoas é algo único. Cada cliente se torna exclusivo.

Vimos, então, que apenas o ensino superior já não garante o sucesso. Há outras formas de investimentos pessoais, e Fábio Von Reuschwanstein é um ótimo exemplo de pessoa bem sucedida que não se profissionalizou pelos meios tradicionais. Os profissionais do momento devem estar atentos e focados no que procuram e nos segmentos que estão prosperando. É importante saber extrair e valorizar o aprendizado do ambiente de trabalho em que estão inseridos, nas situações corriqueiras e simples. A vivência e experiência também são quesitos avaliados e o investimento em viagem e línguas, por exemplo, pode te garantir um bom espaço no mercado, mesmo sem o diploma. Veja bem, não digo que não é importante ter o ensino superior, apenas que seus objetivos podem ser alcançados através de outros caminhos.

Fontes: 
http://www.administradores.com.br/informe-se/carreira-e-rh/mercado-de-luxo-se-profissionaliza-e-paga-salarios-de-ate-r-60-mil/58275/ **
http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/como-se-tornar-um-profissional-melhor-sem-ir-para-a-escola?page=1

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Jussara Coutinho

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Jussara Coutinho

Jornalista com experiência em e-commerce e mídias digitais. Adora falar sobre comportamento e encontrar pessoas que discordem dela com bons argumentos.

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