O atual sistema de consumo consegue criar através da mídia um sentido de auto semelhança.

A grande oportunidade de se discutir um assunto bem explorado, é poder aprofundá-lo e assim mostrar outros pontos de vista. No texto de hoje, mais uma vez vamos explorar o comportamento pós-moderno da sociedade e suas formas de comunicação cada vez mais individualistas, porém, conectadas.

Ao tomarmos ciência de nós mesmo, lá na adolescência, no engatinhar de nossa formação de personalidade e intensa contestação da realidade, passamos por um processo de questionamento de nossa dependência. Depender financeiramente dos pais, emocionalmente de uma pessoa, passa a ser uma avaliação muito mais importante para nossa evolução. Ao mesmo que a grande viagem “in”acontece nos deparamos com um mundo “out”, totalmente interativo, web conectado, com “zilhões” de amigos não presenciais e uma infinita facilidade de fontes de informações duvidosas e acessíveis.

Sabemos que a realidade hoje pode ser editada, disso não temos dúvidas. Quantas pessoas são quase que irreconhecíveis pessoalmente, tamanha dissonância de seus perfis na web?

Neste processo há uma ingênua sensação de controle, a mesma que nos leva a desafiar a autoridade dos pais, acreditar que somos seres especiais com um diferencial imbatível e compartilhar nossa suntuosa opinião à espera de um curtir que espalhe a nossa ideia do que está na moda, qual a notícia do momento e a piada da vez.  Ali, aqui e lá, o processo de capitalismo está diretamente ligado neste processo de informação. O atual sistema de consumo consegue criar através da mídia um sentido de auto semelhança. Como? Permitindo que o privado se torne público, desde a epidemia de reality shows até hoje, onde nossas Redes Sociais bombardeiam escancaradamente o que antes trancafiávamos a sete chaves, em diários pessoais, debaixo de nossos travesseiros.

Sabemos que a realidade hoje pode ser editada, disso não temos dúvidas. Quantas pessoas são quase que irreconhecíveis pessoalmente, tamanha dissonância de seus perfis na web? E olha que isso nem acontece somente com nomes ou fotos, na atual ditadura da felicidade, onde postamos o que não somos, compartilhamos o que não fazemos, e aconselhamos o que não praticamos há uma tremenda chance de criarmos reis e rainhas em nosso consciente, quando na verdade, cruzamos nas ruas com seres tão humanos quanto nós, mas, divinamente articulados. A culpa? Talvez o poder do advento digital, este que elege nossos fracassados e bem sucedidos com base no que vemos após o login, ao invés, do que vivemos de fato, o nu e o cru.

Por fim, estudos relatam que quanto mais abastados de conhecimento ou bens materiais, menos o público nos interessa. Talvez seja essa a ponte da evolução, que nos seleciona sem nos separar. De pano de fundo desta conversa, temos a mídia, que se faz palco das representações, onde o que ela define discutir é o que será comentado. Percebamos também que nela, a representação se torna mais importante que a realidade e hoje,quem sabe lidar com a exposição, ganha. Ganha também quem acorda a tempo de perceber que privacidade virou status, enquanto sozinhos na multidão provamos da busca pela independência, esta revolução tão reflexiva e cada vez mais carente do off-line.

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