“O dia 14 de Janeiro de 2004 foi um marco na vida de um adolescente com o estranho nome de Will Andries Petrus Booye. Deitado de barriga para baixo, ele entregou seu pescoço ao laser de uma cirurgião plástico. O doutor trabalhou com lentidão, obliterando cuidadosamente o código de barras com as lestras G-U-C-C-I tatuado ali – e, pedaço por pedaço, removeu a tatuagem. O processo pode ter sido doloroso, mas também marcou  o fim da obsessão de Will com a marca Gucci, que se tornou, nas palavras de Will, “minha única e verdadeira religião”. “

É assim que Martin Lindstrom começa o 6º capítulo (e praticamente o último) de “Brandsense – segredos sensoriais por trás das coisas que compramos” e é este rumo que tomarei para finalizar nossa série BrandSense.

Voltando a história, ele conta como a Gucci tornou-se parte da vida Will, como se fosse um membro de tua própria família. E que a decisão da remoção da tatuagem, muito deu-se a um período de enfraquecimento da marca que, inclusive, foi notado não apenas por Will, mas por muitos que também a admiravam.

Ele conta ainda que a admiração que Will tinha, era mais forte do que por qualquer outra pessoa que ele conhecia, e que sempre que entrava em uma das lojas da Gucci, sentia-se no paraíso.

A experiência de Will nos leva a seguinte questão: como uma marca consegue criar uma conexão tão intensa com uma pessoa a ponto desta fazer uma tatuagem e viver apoiada num estilo de vida criada por ela?

Chegamos hoje ao final da série BrandSense. No caminho que percorremos até aqui, falamos da visão, audição, olfato, tato, formato, rituais, linguagem, conseguimos discutir pelo menos uma boa parte dos temas que fazem parte deste universo sensorial das marcas.

E para fechar a série, que será um capítulo dividido em algumas partes, entrarei em um ponto que pode, inclusive, ser considerado um pouco  delicado para alguns: a relação entra as marcas e as religiões.

A história apresentada de Will, mostra uma verdadeira devoção por uma marca, uma crença em algo intangível, um sentimento que ele mesmo tinha dificuldades em explicar. Branding e religião pode soar uma esquisita combinação, mas quando paramos para pensar, encontramos diversos pontos que os tornam mais próximos do que ousamos imaginar.

O branding se empenha em criar uma autenticidade e relação com os consumidores que perdure do berço ao túmulo, e durante esse período (assim como na religião),  precisa alcançar um relacionamento fiel e duradouro com seus adeptos.

E o que podemos aprender com as religiões?

Neste capítulo iremos falar de lealdade, superstição, ícones, líderes, o “contar histórias”, inspiração divina, inimigos, rituais… e muitos outros pontos trazidos pela religião que serão lições para a gestão de nossas marcas.

Espero você no próximo post.

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Acredita que somente pessoas são fator de mudança. Fundador e Gestor do Ideia de Marketing, é consultor em marketing e branding.