E são as ferramentas que mudam a disciplina? Não. A disciplina é que molda a ferramenta. O branding é que vai dizer como sua fan page irá se relacionar ou como seus vendedores irão argumentar.
O branding já não é uma disciplina tão nova assim. Apesar de muitas empresas ainda não entenderem sua importância e ainda as que entendem não realmente a praticarem, já estamos a cerca de 10 anos estudando e nos aprofundando na gestão e construção de marcas fortes.
Ao procurar leituras sobre a disciplina, um título de um dos artigos da Exame.com me chamou a atenção: Novo branding: O que é? Ele realmente existe?
Nele, após uma síntese do que é o branding e de exemplificar uma mudança na forma de se comunicar da marca Nike, o artigo entre em discussão com uma série de especialistas da área, e conversa com grandes agências como a Tátil Design e a Crama Design.
Mas vamos ao que interessa.
Minha curiosidade com o título “Novo Branding” começou na verdade com uma desconfiança: um novo título para vender livros e super valorizar o trabalho? Mesmo apenas um dos especialistas dizer realmente que existe o “novo branding” (corrija-me se eu estiver errado), o que me deixa ainda mais em dúvida sobre “de onde tiraram o novo termo”, não consegui entender o que de novo realmente o branding tem.
Todos os conceitos e definições do artigo (que por sinal está muito bem escrito e com um conteúdo muito rico) são os mesmos que acompanham o branding desde do início das discussões sobre a disciplina.
A velocidade das mudanças e comunicação com os consumidores
Um dos pontos que mais me chamou a atenção foi abordagem sobre a velocidade nas mudanças, principalmente na forma de se comunicar com os consumidores.
O fato do comportamento e hábitos dos consumidores se transformarem de uma forma muito rápida, não muda em nada o jeito de “fazer branding”.
O branding prega um relacionamento intrínseco das marcas com seus stakeholders, trazendo às estrategias seus valores e personalidade. Qualquer ponto de contato ou comunicação da marca, precisa estar alinhado a sua proposta, a seu propósito. Em uma ação interna, em um anúncio no jornal, em uma ação de guerrilha, em uma mudança de layout do site, até mesmo em um recado que o gerente passará a seu departamento… não importa, se marca irá se comunicar ela precisa transmitir sua essência.
E são as ferramentas que mudam a disciplina? Não. A disciplina é que molda a ferramenta. O branding é que vai dizer como sua fan page irá se relacionar ou como seus vendedores irão argumentar.
O conteúdo e as marcas
Outro ponto importante do artigo, mas que também não vejo como um “novo conceito”, é que as marcas precisam criar conteúdo além de estratégias de marketing e vendas.
Mas como disse, é um conceito que está na raiz do branding: as marcas precisam estar no “contexto do cotidiano” das pessoas, precisam “fazer sentido” e não apenas vender. As propagandas intrusivas vão aos poucos perdendo espaço para as ações onde existem um diálogo entre consumidores e marca, onde há participação, onde o consumidor se sinta “ouvido”.
E por fim…
O branding nunca enxergou pessoas como números. Inclusive, um bom exercício do branding é pensar em sua marca como uma pessoa, associando características e criando uma personalidade, para que ela possa conversar com outras pessoas (que no caso, é o público da marca: consumidores, colaboradores, fornecedores…), criando assim um relacionamento mais verdadeiro e próximo. O fato de cada vez mais focarmos em nichos não significa que estamos mudando o branding, ele continua o mesmo. Nem mesmo as novas tecnologias, nem a internet e nem as novas “ferramentas” mudaram o branding.
Vou fechar com a frase de Troiano ao próprio artigo sobre o “NOVO BRANDING”:
“O consumidor sempre teve seu poder de decisão. Isso não mudou. Não existe um Novo Branding, mas uma nova maneira de se relacionar. Apesar disso, os princípios fundamentais são os mesmos.”









2 comments
Carol Montenegro says:
Jul 12, 2012
Concordo em número, gênero e grau com o seu artigo, Paulo. Alias fiquei bem contente de lê-lo, pois pensei exatamente a mesma coisa quando li esse artigo do “novo branding”. O Branding mal criou raizes no Brasil, e já estāo querendo criar um novo? Mas a Tátil, por exemplo, (pelo menos em seu site) usa a terminologia “Branding 3.0″ o que eu já acho bem mais aceitável. Entender que o branding evoluiu é importante, mas criar um “novo”, para mim, é quase como desistir do “anterior”.
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will says:
Jul 13, 2012
O texto é interessante pois destaca o cuidado que devemos ter na criação do relacionamento da marca com as pessoas, pensar que ela apenas deve se comunicar com o público alvo, não eh tão correto assim. Palavras de agradecimento pelo texto.
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