O Líder da mudança deve ter foco e transmitir os propósitos e objetivos organizacionais, criar estratégias que representem a causa da sua organização, comprar e vender a ideia a todas as partes envolvidas incentivando todo o grupo a abraçá-la e defendê-la com garra, determinação e criatividade.

Houve época que ser competitivo se baseava em oferecer produtos superiores, selecionar mercados, segmentos e categorias de clientes. Identificar vantagens em escala, custos, margens e preços, ou seja, buscar o domínio da economia. Regras quase idênticas que levaram a um alto número de produtos similares e à queda considerável da margem de competitividade.

Propostas de destaque junto ao consumidor, com o tempo, foram migrando para simples “competições entre marcas”. A inovação vira imitação quase que instantaneamente. O foco em resultados imediatistas embasados pela alta pressão depositada em executivos mediante metas, prêmios e bônus contradiz os ambientes e a cultura de criatividade e inovação adotados pelas próprias empresas, levando-as a produzirem feitos de baixo impacto.

A inovação, principalmente no Brasil, é vista apenas como uma atividade de alta tecnologia e não como ferramenta de diferenciação para modelos e estratégias de negócios. Empresas com maior êxito atraem a atenção de “copiadores” que buscam replicar soluções com custos e riscos menores, o que faz necessário o investimento em modelos de gestão estrategicamente inovadores.

Há inovações radicais que marcaram época, como Rádio, Televisão, Internet, mas ao mesmo tempo, outras também revolucionárias com baixo ou até nenhum uso de tecnologia. Henry Ford que, no início do século passado, desenvolveu um sistema de montagem de automóveis e revolucionou o mundo da Indústria, foi além. Entre seus diversos feitos, utilizou ideias antigas e criou estratégias inovadoras para o aproveitamento da capacidade humana, obtendo e oferecendo melhores resultados aos funcionários que, perante o mercado, tiveram seu valor substancialmente aumentado. O mundo da Indústria e a vida dos operários jamais foram os mesmos após seu modelo de gestão.

Há uma diferença essencial entre aprender com as ideias de alguém e aplicá-las em outro lugar. É preciso repensar a concorrência, reinventar a inovação, recriar vínculos junto aos clientes e redefinir a que veio: saber qual é o seu papel no mercado. Nenhum empreendimento deve se proibir de mudar o seu posicionamento desde que se baseie em fundamentos reais sem perder “o propósito”. Atender às necessidades do consumidor, há muito se tornou insuficiente, “a ordem é surpreender” e de maneira contínua, como tem feito Arkadi kuhlmann, fundador do Banco Virtual IND Direct.

ING Direct USA – uma história de inspiração, estratégia, inovação e resultados

Com uma proposta totalmente contraditória ao setor financeiro, Arkadi Kuhlmann, bancário experiente e saturado com a ideia de ganhar dinheiro sobre perdas do consumidor, viu na Web a oportunidade para defender os valores permanentes da segurança econômica e financeira, criando uma proposta revolucionária, lucrativa e totalmente virtual de Banco de varejo. Com foco no público de baixa renda, ele abriu mão da burocracia, grandes prédios de luxo e altos executivos que consomem um nível elevado de capital, fechou as portas para quem tem muito dinheiro, disponibilizou poucos produtos e serviços, mas tudo isso ocorreu em isenção de tarifas ao consumidor além de uma rentabilidade até quatro vezes superior à concorrência.

A ascensão do ING Direct é a resposta de boas ideias associadas a boas práticas e baixos custos com um propósito que beneficia todas as partes envolvidas. Isso é Inovação de Valor.

O resultado final é uma máquina de dinheiro operando online, que quatro anos após sua fundação, em setembro de 2000, já havia se tornado o maior Banco Virtual dos EUA, quarto maior Banco de poupança e um dos 40 maiores Bancos em geral. Enquanto as instituições do setor estimulam as pessoas a gastarem, Kuhlmann e seus sócios mostram como economizar mais e tentam resgatar valores tradicionais da sociedade na luta anticonsumismo. A ascensão do ING Direct é a resposta de boas ideias associadas a boas práticas e baixos custos com um propósito que beneficia todas as partes envolvidas. Isso é Inovação de Valor.

Há muitas outras estratégias e ações inovadoras da empresa que podem servir de inspiração. Vale a pena pesquisar a respeito. A cultura de inovação acompanha a empresa desde a criação da ideia, transformação em um negócio de sucesso e sua gestão, como pode ser visto no vídeo abaixo, onde os clientes comunicam com o público, de forma criativa e estrategicamente elaborada, após a percepção de que os próprios clientes eram os maiores responsáveis em influenciar novos consumidores.

A era do “ficar de olho na concorrência” não condiz com os modelos atuais de negócios. Para Taylor; LaBarre (2006) a lógica da competição evoluiu do universo da imitação de “produtos contra produtos” para o fervor revolucionário de “modelos de negócios contra modelos de negócios” e agora parece ter alcançado o domínio promissor dos “sistemas de valores contra sistemas de valores”. Essa nova forma de competir foi nomeada Estratégia como “Defesa de Causa” pelos autores, o que pode ser visualizado no modelo de gestão de Arkadi Kuhlmann.

O plano de fundo para empreendimentos competitivos e sólidos é a diferenciação por meio da Inovação de Valor e da Sustentabilidade. O Líder da mudança deve ter foco e transmitir os propósitos e objetivos organizacionais, criar estratégias que representem a causa da sua organização, comprar e vender a ideia a todas as partes envolvidas incentivando todo o grupo a abraçá-la e defendê-la com garra, determinação e criatividade. Produtos podem até ser iguais, mas pessoas são únicas e quando devidamente capacitadas, ambientadas e lideradas podem transformar ideias e empreendimentos em negócios extraordinários. A chave para a diferenciação é o capital humano. Confiram o vídeo rápido e objetivo com breves e inspiradoras palavras de grandes personalidades do mundo dos negócios.

Este artigo é baseado em um trecho de uma de minhas palestras, ministrada junto a Micro e Pequenos Empresários, Feiras e Faculdade do Grupo UNIS. Espero ter contribuído para reflexão. Convido-os a compartilhar conosco suas opiniões. Abraços e até o próximo post!

“A Indústria do cavalo e charrete não morreu porque os automóveis vieram juntos. Ela morreu porque não descobriu como se adaptar ao novo mercado”. Site Innocentive (2011).