Qual é a textura da sua marca? – BrandSense VIII

Qual é a textura da sua marca? – BrandSense VIII

Sabe quando você pega um plástico bolha para passar a ansiedade ou nervosismo? Já parou para pensar a razão disso? Estourar uma “bolinha de plástico” traz uma sensação boa e alivia a tensão?

Tudo isso está ligado a um importante sentido humano que é pouquíssimo explorado pelas marcas: o tato.

A forma como sentimos uma marca está diretamente ligada a qualidade que atribuímos ao produto e, consequentemente à própria marca. E a mesma intensidade de sensações que o plástico bolha consegue transmitir, sua marca também pode.

Já pensou se um celular de última geração e alta tecnologia fosse tão pesado quanto aqueles primeiros que surgiram? (que mais pareciam um tijolo) A percepção dos consumidores, quanto a qualidade de produtos eletrônicos, está diretamente ligada a sua versão ser menor e mais leve que outra mais antiga. Claro que há uma condição importante: o mecanismo deve ser feito com produtos de boa qualidade. Além disso, existem particularidades para cada tipo de produto.

Não queremos que câmeras digitais pareçam de plástico, não é? E já reparou na dificuldade em manusear aquelas extremamente pequenas? É preciso pensar na experiência em que o consumidor terá com esse produto e na utilidade do dia a dia, unir o visual com o funcional.

Ao entrar em um carro, com o objetivo de conhecê-lo ou comprá-lo,  passamos as mãos no volante e nos bancos, e isso é de extrema importância na percepção de qualidade que terá com o carro. Isso vale inclusive para restaurantes e bares. Logo ao chegar, uma série de informações comunicam a qualidade que o cliente formará a respeito da sua marca. A fachada, o primeiro contato com o garçom, o ambiente, o som ambiente, a comunicação interna… claro que tudo isso precisa ser alinhado e bem planejado, mas o lugar em que ele senta e a textura da mesa (em que terá contato a todo momento), irão formar grande parte da lembrança que terá com o local. Um lugar confortável poderá fazer até com que o cliente passe mais tempo no local.

O fato é que a textura dos produtos conectam pessoas às marcas.

Algumas marcas já começam a entender essa importância. A lata Heineken Touch, possui um acabamento de verniz que faz com que a superfície fique em alto relevo. Com isso, a marca explora o sentido tátil e faz com que o consumidor tenha uma experiência e percepção, melhores do produto. Se você já tomou uma Heineken nesta lata, com certeza deve se lembrar do contato com ela além do sabor.

Todas as estratégias de BrandSense, que falamos até aqui, são importante para que a marca crie um vínculo sensorial com o cliente que vá muito além do benefício produto em si. Quando você “adiciona” uma relação sensorial para sua marca, gera uma lembrança mais satisfatória e forte sobre seu produto (e marca).

Quanto ao sentido do tato, há diversas formas de incluí-lo em sua estratégia. Porém, sugiro que comece pelo básico, melhorando o material gráfico de sua papelaria ou material de comunicação, por exemplo. Um cartão ou folder sem um papel adequado (pouco resistente), transmite uma sensação ruim, de inferioridade quanto a credibilidade de sua marca.

Pense sempre na palavra experiência. Listar os pontos de contato que seu cliente tem com sua marca e pensar onde melhorar essa experiência (ou incluir uma ação que envolva os cinco sentidos) é o primeiro passo!

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Paulo Lima

Acredita que somente pessoas são fator de mudança. Fundador e Gestor do Ideia de Marketing, é consultor em marketing e branding.

5 thoughts on “Qual é a textura da sua marca? – BrandSense VIII

  1. Grande Paulo, parabéns pelo texto!
    Eu tive que enfrentar esse desafio atualmente, quando aceitei a proposta de emprego, e identifiquei a necessidade urgente de um trabalho de endomarketing, que teve inicio em uma apresentação dos novos moldes da empresa para os colaboradores e o desafio era envovê-los de tal maneira que precisavámos utilizar os 5 sentidos dos colaboradores e os dois mais complexos foram o tato e o olfato.
    É muito importante aceitar o desafio de trabalhar os sentidos do seu consumidor, por mais complexo que isso seja, o resultado de um bom trabalho é muito compensador!

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  2. Òtimo texto Paulo, eu estou tendo um caso sério com o “BrandSense”… já sou apaixonado pelo Branding, acho muito louco essa ideia de explorar esse sentido que ainda não é tão explorado pelas marcas… achei demais o exemplo do carro (faz todo o sentido)

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    Paulo Lima Reply:

    Kennedy, obrigado pelo comentário!

    Ótimo! Sugiro a leitura do livro Brandsense,de Martin Lindstrom, que é o livro onde me inspirei para escrever esta série.
    Lá ele aborda os cinco sentidos, dá exemplos e apresenta pesquisas sobre a matéria. É algo novo no Brasil e que devemos disseminar cada mais o assunto.

    Abraços

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  3. Muito bom, tanto o tema quanto o conteúdo! Você mencionou um ponto de suma importância na construção da lealdade do consumidor. Às vezes pouco explorado, outras, mal trabalhado o que é pior. Isso porque algumas marcas ainda não compreenderam a importância de criar e monitorar suas estratégias no âmbito da “experiência sensorial” do consumidor. Seu exemplo deixa o contexto ainda mais claro. As empresas se preocupam muito em como querem ser percebidas pelo consumidor, tanto que se esquecem de dar a devida atenção em como tem sido realmente percebidas e sentidas. Muito válido seu artigo! Parabéns!

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