Sua marca é considerada um João Ninguém?

Sua marca é considerada um João Ninguém?

Ouvindo uma música de um dos grande compositores nacionais de todos os tempos, notei uma semelhança muito grande com as marcas e que podemos relacionar, inclusive, com a “falta” do branding, de gestões pouco produtivas e ousadas das marcas, que desenvolvem nos consumidores uma verdadeira indiferença com elas.

A música em questão é “João Ninguém*”, de Noel Rosa, e mesmo que ela tenha uma mensagem bacana nas entrelinhas, ela mostra em diversos trecho a prática (ou não prática) de uma pessoa que se caracteriza como um verdadeiro “João Ninguém”. Vejam em tópicos 4 características que podem fazer de sua marca um verdadeiro “João Ninguém” :

“Esse João nunca se expôs ao perigo”

A primeira característica é uma realidade em que muitas pequenas e médias empresas passam desde sempre! Podemos ter um exemplo bem claro naquela lojinha ou padaria de bairro. Ao ver que um negócio dá certo (ou pelo menos paga as contas), dificilmente pequenos empresários se dão ao luxo de arriscar. Por tempos, mantêm um produto semelhante e ambiente ultrapassado. O medo de “mudar em time que está ganhando” faz com que o negócio empaque.

A dica que posso dar é: pense sempre em melhorar a experiência do consumidor na hora da compra. Se você tem dificuldade ainda para investir em uma estrutura melhor, por exemplo, tente mudar um serviço para melhor ou talvez fazer uma divulgação mais ousada, traçando estratégias que vão além de um folder. Busque novas parcerias ou aumente a família de produtos da empresa. Até porque, como diz o ditado, quem não arrisca, não petisca.

“Nunca teve um inimigo”

Quando não há pelo o que se preocupar, alguma coisa está errada!

Se você já pensou “não temos concorrentes” ou “não precisamos nos preocupar com os concorrentes”, convido-te a mudar de questionamentos: por que eu não tenho um concorrente direto? Não temos que nos preocupar com eles ou eles não precisam se preocupar conosco?

Pense na briga Coca x Pepsi. Existe uma constante preocupação uma pela outra, porque por mais que o produto seja bem semelhante, elas trabalham com propostas e defesas diferentes para sua marca. Se você entra numa zona de conforto, logo será engolido pelo mercado, e seu inimigo pode virar você mesmo.

“Nunca teve opinião”

Conhece alguém que fica em “cima do muro”?

Para as marcas, isso significa não ter atitude, e não construir uma identidade, personalidade. Você já foi ao supermercado querendo comprar tal produto de alguma grande marca e ao chegar em casa deparou-se com outra que nunca viu na vida? Descobriu que caiu no “golpe da embalagem”? É comum encontrarmos marcas menores copiando ícones de cada segmento. Se a Maizena é amarela, então todas as outras marcas irão ser amarelas. Duvida? Digite amido de milho no Google (imagens), o resultado são diversas marcas querendo ser Maizena. Isso apenas fortalece que a Maizena é o melhor produto do mercado e,  quando o consumidor compra uma marca apenas por ter se confundido, isso não cria um sentimento ou lembrança satisfatória, ao contrário, gera insatisfação pois ele se sente “enganado”.

Dificilmente, independente do mercado, as marcas se diferenciam em algum ponto. Que tal começar pelo design?

“Não tem ideal na vida”

Vender por vender. Empresas que nascem assim são fadadas ao fracasso. Ter uma essência, um razão de viver e um objetivo de crescimento, fazem com que a cultura organizacional da empresa mova-se atrás de um ideal. Além disso, não entre no mercado pensando apenas em lucro. Faça uma pergunta a si mesmo: o que minha marca/empresa representa para a sociedade? Como ela contribui para um mundo melhor?

Sua marca se torna um “João Ninguém” quando não faz sentido algum ao consumidor. Pergunte a ele: por que você compra minha marca e não a do concorrente? Se ele não tiver uma boa justificativa, provavelmente criou uma indiferença pela marca, apenas compra por comprar, por falta de opção. Ou seja,  ele pode deixar de comprar com o primeiro que aparecer uma proposta diferente. Esse 4 tópicos foram apenas alguns exemplos, mas um bom exercício é pensar em sua marca como uma pessoa, assim como na música do Noel. Pois assim como uma pessoa, ela precisa ter identidade, amigos (e até “inimigos”), hábitos, ideais… Só assim ela cria um envolvimento e pode tornar-se parte da vida das pessoas.

*Ouça aqui a música. A gravação é bem ruim mas a música em si é boa demais!

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Paulo Lima

Acredita que somente pessoas são fator de mudança. Fundador e Gestor do Ideia de Marketing, é consultor em marketing e branding.

3 thoughts on “Sua marca é considerada um João Ninguém?

  1. Parabéns Paulo! Ótimo texto! Faço das palavras do Rodrigo, as minhas!
    É sempre um prazer ler o “Ideia de Marketing”
    Me obrigo a ler vcs, por que sei que vou aprender muito no blog, e aí acaba sendo uma rotina prazerosa!
    Parabéns!

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