ECAD e a censura do compartilhar

ECAD e a censura do compartilhar

O “caso ECAD”, com os blogueiros, é o reflexo de um país que ainda tem dificuldades em entender que o compartilhar é um grande aliado ao conhecimento.

Se ainda existe alguém que não ficou sabendo de todo o assunto, vou explicar:

Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) é o órgão que recolhe e paga os direitos autorais de todos os músicos do país. O problema é que este extrapola um pouco em sua função, chegando até a cobrar música tocada em casamento (pois é, por incrível que pareça). Precisamos questionar ainda alguns pontos sobre o Ecad, principalmente quando falamos da arrecadação e distribuição destes direitos, como aborda a matéria abaixo:

E a notícia que ganhou repercussão na blogosfera ontem, foi que o Ecad cobrou um valor (a ser pago mensalmente) ao blog Caligraffiti, alegando ser referente ao uso de vídeos sonorizados do YouTube em seu conteúdo (vale lembrar que o YouTube já faz pagamento ao ECAD).

O pior de tudo é que o ECAD é protegida por nossa legislação arcaica, ou seja, pela lei ele está certo, e pode cobrar inclusive de pessoas físicas! Agora, achar brechas na lei para arrecadar ainda mais dinheiro é um ato de boa fé? Será que tudo isso é feito realmente a favor artistas? O também gostaria de levantar são algumas questões que não podemos deixar passar em pleno século do compartilhar.

Por que não compartilhar?

Não entendo a insistente luta do artista pelos direitos autorais. A internet abriu o leque para diversos trabalhos na rede, inclusive muitos artistas surgiram ou cresceram pois souberam utilizá-la, sem a mesquinharia de “isso é meu, pague por isso”. Isso me lembra um dos textos de Tereza Kikuchi, aqui no blog. O post, que leva o título “O que você pode compartilhar com o mundo“, aborda a questão do compartilhar nos tempos atuais, levantando a bandeira de que se você tem algo bom para compartilhar, deve fazer isso! Como disse Tereza em seu post, “Deixe o conhecimento fluir e frutificar.” A arte foi feita para emocionar, transmitir mensagens… o dinheiro é consequência de um trabalho bem feito. Cobrar por direitos autorais é censurar conhecimento e emoção (obviamente, tudo que for compartilhado deve haver os devidos créditos).

Quem ganha com a divulgação dos vídeos?

Já sabemos que a venda de CDs (ou DVD) não é mais (de longe) a maior fonte de renda dos cantores, por exemplo. Como disse acima, quem soube adaptar-se (que inclusive é a lei do mercado) melhor à essa nova realidade, não perdeu nada com a chegada da internet. Ao divulgar um vídeo no YouTube, por que raios o artista precisa receber se é ele quem ganha mais? É pelo YouTube que o artista divulga seu trabalho, isso é inclusive estratégia de muitos. Esses dois tópicos nos levam ao terceiro.

Blogs: o compartilhar x a divulgação

Independente se o blog tem fins lucrativo ou não, ao escrever um post, o autor do mesmo está compartilhando conhecimento, informação e, ao mesmo tempo, divulgando tal artista. Fazemos isso sem cobrar nada. Não importa se o blog atinge 1 ou 1000 leitores com o post, se ele for sério, irá transmitir consigo uma imagem boa do material que usar.

O que mais me entristece, é que sinto uma censura “no compartilhar” vinda de diferentes formas. Isso é ruim para o desenvolvimento e crescimento profissional das pessoas. Ainda mais que essa censura está sempre ligada ao conhecimento.  A movimentação na Web precisa ser a favor da evolução, sempre. Mas parece que no Brasil, principalmente os órgãos públicos, insistem em querer emburrecer a população, visando sempre o lucro, com ganância e sem a mínima vontade de lutar por um país melhor.

Referências:

Ecad cobra taxa mensal de blogs que utilizam vídeos do YouTube

Ecad deve R$ 3,5 milhões a autor, diz perícia

ECAD cobra blogueiros e é criticado nas nas redes sociais

Por Uma Internet Livre!

Esclarecimento do Ecad sobre a cobrança de direitos autorais a blogs e sites da internet

O Ecad fechou um acordo com o YouTube. Resta aos artistas fazer valer o que é seu

0

Paulo Lima

Acredita que somente pessoas são fator de mudança. Fundador e Gestor do Ideia de Marketing, é consultor em marketing e branding.

7 thoughts on “ECAD e a censura do compartilhar

  1. Quem viveu os anos 60, sabe muito bem que o ditador começa o seu caminho pela Censura Cultural como foi. Eram censuradas as musicas, as TVs, os Teatros, etc… hoje o forte é a internet. E eu acreditei que pela nossa presidente viria a DEMOCRACIA. Bom, mas cobrar o que é publico e permissivo, é um crime. Ora quando se posta um Video vc declara se o quer em exibição publica ou não, compartilha ou não. Para que serve os codigos que acompanham os vídeos, para induzir o povo ao engano, a pirataria? Assim deve-se mencionar no Ministerio Publico o site como agente de Pirataria, não é? O que é permissivo não pode ser taxado. O que é publico não pode ser cobrado. o que assombra é a data da ação com a data do termo de serviços e privacidade do Google,serem proximas . Ninguem obriga o artista a ir para a Internet, o faz sabendo da possibilidade da copia ou uso, mas aceita reclama por que? ou do que? pagar pela necessidade dos artistas divulgarem seus trabalhos isso é demais. Como Marketing que se exforça para fazer uma musica cair nos labios do povo, agora pra quê?

    0

    [Reply]

  2. Oi Paulo,

    A Tereza publicou o link do seu post na EA&E do LinkedIn e eu vim dar uma olhada. Vou postar abaixo, o mesmo que postarei na comunidade do LinkedIn.

    Não vou nem falar do ECAD, pois no caso é um problema do orgão e não dos direitos autorais que são legais. Quero comentar sobre o “compartilhar”.

    Você nos diz que não entende a insistente luta dos artistas pelos direitos autorais. O artista vai lutar pelo quê?

    Você coloca a situação em que os artistas tem a maior fonte de renda em shows. Agora me diz: e os compositores, vão tirar de onde? Desde quando pirataria é “lei de mercado”? O problema não é e nem nunca foi a internet, o problema é a pirataria.

    Você fica triste, ao ver que as pessoas censuram “o compartilhar”. O problema é que colocam tudo no mesmo balaio. Eu escrevo, publico contos e crônicas abertamente, sem qualquer problema, mas não posso aceitar que pirateiem meu livro. E isso que você chama de censurar “o compartilhar”?

    Você publica seus textos, mas não fará o seu trabalho, que lhe garante o pão, “de graça” para quem pedir. Fará? (Ao pensar, considere também a empresa onde trabalha.)

    De qualquer maneira Paulo, pontos de vistas distintos podem gerar boas soluções.

    Silvio T Corrêa
    http://www.silviocorrea.com.br

    0

    [Reply]

    Paulo Lima Reply:

    Olá, Silvio! Primeiramente, obrigado por comentar, e por ser um comentário tão enriquecedor ao blog, independente da opinião contrária. Como você mesmo disse, “pontos de vistas distintos podem gerar boas soluções”. :)

    Bem, vamos lá!
    O ECAD que provocou toda a discussão, meu texto é baseado no “compartilhar”, mas fazendo uma ponte com a situação causada pelo órgão. Portanto, é importante sim o levarmos em conta, pois foi o “que formou” minha opinião, digamos assim. E também, pois o trabalho do órgão é duvidoso (assim como sabemos de outros no Brasil, em que o dinheiro é visto no topo da pirâmide. Quase nunca a causa é o que move esses órgãos). Em uma rápida pesquisa (inclusive nos links em que disponibilizei no post) percebemos que muitos artistas não ganham nada com a arrecadação feita pelo ECAD e, que para receber, é uma burocracia absurda. Diz uma cosa, você acha que o compositor de um dos maiores Hits da internet dos últimos tempos “Minha mulher não deixa não” irá ganhar com essa arrecadação? Não disse no post que a maior fonte de renda dos artistas é em shows como citou, mas aproveitando, o compositor deve ganhar do intérprete. Realmente acha certo o compositor ganhar se a música foi usada em algum blog como “ferramenta” para algum post?

    Quando digo “não entender a luta pelos direitos autorais”, refiro-me ao fato dos artistas quererem ganhar dinheiro com isso na internet. A internet foi feita para agregar, compartilhar. O ECAD quer cobrar por isso? Diria até que os artistas podem ser os maiores prejudicados por isso, pois há a possibilidade de muitos portais, sites e blogs boicotarem seus vídeos, o que dificultará sua divulgação. Silvio, muitos cantores já disponibilizam download de seus novos trabalhos. E mesmo assim agregam outras estratégias além de shows.

    Para finalizar, fico triste com a censura da INTERNET. (talvez eu tenha explicado mal essa parte)
    Quanto aos meus textos, deixo aqui um parecer: quem quiser usá-los em outros blogs, sites, portais, fique a vontade! Mesmo se for em um site que ganha milhões em patrocínio, não ligo que os use, apenas peço que coloque os créditos. Aliás, isso é uma prática comum na rede.

    Apenas para finalizar, deixo claro que meu texto foi pensado na censura do compartilhar na INTERNET.

    Agradeço novamente o comentário, é importante “ouvir” outras opiniões.

    Um grande abraço e volte sempre ao Ideia.

    0

    [Reply]

    Silvio T Corrêa Reply:

    Oi Paulo. Bom dia!

    Claro, o ECAD foi o estopim para você escrever o artigo. Perdão se não me fiz entender. O que eu disse é que não ia comentar sobre o ECAD pois é um problema do orgão e não dos direitos autorais. O ECAD está extrapolando e além disso, parece não repassar o que é de direito, aos artistas, mas é um problema no ECAD. Acredito que, se perguntado “cara a cara”, nenhum artista dirá que concorda com a cobrança de direitos autorais para as músicas que tocam em consultórios.

    Dois pontos: Realmente você não disse que a maior fonte de arrecadação dos artistas é proveniente de shows, mas se a maior arrecadação não vem de CDs e DVDs, vem de onde? Quanto ao autor desse hit da internet — desculpe se não conheço a música —, é claro que ele deveria receber, pois produziu um trabalho, desde que seja registrado no ECAD.

    Paulo, entenda, por favor. Eu sou contra a lei de Direitos Autorais 9610. É necessário mudá-la. Mas sou muito mais contra a pirataria, a cópia sem autorização do autor.

    Não sou contra a utilizar ideias geradas por outros autores, para a geração de novos textos, sob um novo ângulo ou não. Não sou contra as fanfictions, não sou contra a utilização de textos (postado com os devidos créditos), disponibilizados na internet, para serem utilizados em outro site. Mas volto a dizer: sou veemente contra a cópia e disseminação do conteúdo de livros.

    Para clarear, imagine que você criou uma bela marca para a sua banda de rock que tem o nome de Lamarine. Ficou tão bacana, que de repente você começa a encontrar a sua marca, com o mesmo layout, com o nome de Supermercados Lamarine ou em outra banda, só que de jazz. Não pergunto os seus sentimentos, mas é uma situação legal?

    Paulo, se o artista libera o seu trabalho, não há conversa, não há discussão. Liberou? Encerrou o assunto. Independente se é para divulgação ou porque é iniciante, não importa. Mas eu gostaria de saber que tipo de estratégia o artista (cantor) tem para viver do seu trabalho, que não sejam direitos autorais e shows?

    Tem que ficar claro nessa conversa que toma conta da rede, é que se o artista liberar, por exemplo, seu último trabalho musical, mas com som monofônico, um bit rate baixo, é isso que está liberado. Ninguém terá o direito de divulgar uma versão em hi-fi. Se o autor divulgar um livro com baixa qualidade em imagens e textos (que seja possível ler), ninguém terá o direito de piratear o livro do autor e divulgar uma versão com 600dpi. A decisão do autor é soberana sobre o que ele produz.

    As pessoas estão querendo tomar na marra, na força. “Não vai me dar, então eu vou tomar!” Isso não é atitude de gente civilizada, é atitude de bandido.

    Obrigado pela oportunidade de debatermos.
    []s
    Silvio

    0

    [Reply]

  3. Pelo que soube o ECAD voltou atras quando o Youtube se manifestou em apoio aos blogueiros. Pagara para colocar video do youtube não tem nada haver mesmo. Obrigado pelo post, Estou acompanhando o Blog.

    0

    [Reply]

  4. Paulo, apenas dois detalhes. Não é falta de conhecimento sobre os poderes do compartilhamento, nem a legislação é arcaica. Em outras palavras, nem é questão de ignorância, nem se trata de uma lei antiquada. O ECAD sabe muito bem o que está fazendo, porque a intenção dele é frear o livre compartilhamento. E a legislação foi escrita justamente para esse fim. Entendendo isso, a briga muda completamente de figura. O buraco é mais embaixo. Se quisermos mudar algo, precisamos conhecer bem o inimigo. Para se aprofundar nessa perspectiva, leia “Não seja inocente: o ECAD entende muito bem a Internet” http://wp.me/p8rof-Hc

    0

    [Reply]

    Paulo Lima Reply:

    Paulo, obrigado pelo comentário!

    Com certeza, eu também acredito que o ECAD sabe o que faz, por isso mesmo! Acho que ele usa um tanto de má fé em suas práticas. E mais, sua causa principal, que é proteger os direitos dos artistas, não é o motivo de todo esse barulho.
    O órgão, na minha opinião, virou mais um desses “elefantes brancos” do Brasil, onde os interesses financeiros estão em primeiro lugar, e até por isso, as leis continuam as mesmas. Manifesto-me em meu texto nesse trecho: “Mas parece que no Brasil, principalmente os órgãos públicos, insistem em querer emburrecer a população, visando sempre o lucro, com ganância e sem a mínima vontade de lutar por um país melhor.”

    Bem, mas eu entendo perfeitamente o que diz e concordo, inclusive.

    Obrigado pela visita e comentário no blog, volte sempre! Abraços

    0

    [Reply]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *