Construir uma marca que vai muito além de um logo é um grande desafio para as empresas em qualquer segmento.

Pensar em estratégias emocionais em todos os pontos de contato da marca aumenta a percepção de valor e a relação emocional com os consumidores.

Um ponto ainda pouco explorado pelas marcas é a linguagem, o idioma que a marca usa em sua comunicação.

Veja como a frase a seguir faz sentido, pense em um lugar para viajar apenas com a linguagem usada abaixo:

“Bem-vindo a nosso reino de sonhos – o lugar onde a criatividade e a fantasia andam de mãos dadas espalhando sorrisos e magia a cada geração”*

Palavras como magia, sonhos e fantasia, são facilmente associadas à Disney. Isso deve-se a um longo trabalho. Desde os anos 50, a Disney faz um trabalho voltado a essa linguagem. Em toda a comunicação da marca, que vai das letras das músicas das histórias à linguagem usada pelos funcionários do parque, essas palavras são usadas repetidamente.

Definir a linguagem (textual e verbal) de acordo com o posicionamento da marca, cria uma diferenciação e humaniza a relação desta marca com os consumidores. Ainda pensando nesta humanização, quanto mais forte for a personalidade da marca, maior facilidade ela terá em associar palavras.

Uma forma eficaz de fortalecer a linguagem de forma consistente é adotar um personagem. Os personagens dão características marcantes e mais associativas às marcas. Sua personalidade aproxima o público e oferece uma voz-humana a elas, sendo verdadeiros porta-vozes. Não que haja obrigatoriedade em criar personagens, mas sim, evitar um discurso técnico, tornando-o mais próximo, humano.

E não pense que isto vale apenas para grandes empresas. Principalmente onde existe um atendimento padronizado ou um script mais formal, há a possibilidade de trabalhar a linguagem de forma diferenciada.

Pense em um restaurante temático, como um de comida mineira. Por que não utilizar palavras que fortaleçam o posicionamento e fazem alusão à personalidade? Seja no atendimento do garçom, na comunicação e sinalização interna (nos banheiros, nas placas indicando os ambientes), no site, no cardápio… enfim, adote um discurso diferente para dizer  “Volte sempre”, “É sempre um prazer servi-lo” ou até mesmo no “Não desperdice comida”. Isso dará um entendimento maior do cliente com a personalidade da marca e ainda trará outras lembranças além da boa comida ou do bom atendimento.

Outro bom exemplo está em mercados mais sérios. Quantas empresas assumem um discurso como “Nossa empresa oferece confiança e tranquilidade…” ou “Nossa qualidade nos torna os mais confiáveis…”? Definir uma linguagem menos técnica , não significa ausentar-se da formalidade, por exemplo, mas sim, tornar a sua marca mais humana e íntima dos clientes.

Integre uma linguagem única em cada peça de comunicação, partindo do posicionamento e personalidade da marca. Isso irá diferenciar sua empresa em um mercado competitivo e a fortalecerá diante tantos concorrentes.

Mas não faça nada apenas por fazer. Uma linguagem forte precisa partir de um estudo consistente e um planejamento sólido. E para começar este estudo, pergunte para “si” mesmo:

Que língua minha marca fala hoje?

*citação do livro de Martin Lindstrom, no livro BrandSense – segredos sensoriais por trás das coisas que compramos (ler outros da série BrandSense)

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Acredita que somente pessoas são fator de mudança. Fundador e Gestor do Ideia de Marketing, é consultor em marketing e branding.