Enquanto pensava sobre como escrever este artigo e fazia as minhas pesquisas sobre modelos de negócio, encontrei um site que pode despertar o interesse de todos os que trabalham com storytelling. Trata-se do cowbird.com.

Nesta comunidade, você pode ler e/ou compartilhar suas próprias histórias – incluindo fotografias, ilustrações, tags, linha do tempo, localização, áudio e dedicatória. Também pode decidir qual licença de uso pretende atribuir aos seus textos e às suas imagens (full copyright; creative commons: attribution; non-commercial; non-derivative; share-alike; e no copyright). O site foi inspirado no Wikipedia, o mais famoso projeto, para Internet, de conhecimento compartilhado com acesso gratuito e livre. E como o Wikipedia seu conteúdo é criado pelos usuários e o acesso é gratuito. A diferença é que se trata de uma coletânea de experiências pessoais e o próprio usuário define as licenças que quer atribuir ao seu trabalho, enquanto que no Wikipedia a licença é sempre a Creative Commons e o objetivo é a criação de uma grande enciclopédia.

O fato é que, por meio do Cowbird, milhares de pessoas estão postando fotos, experiências e emoções. Estão construindo um discurso e ganhando voz, numa plataforma bonita e bem organizada. Além disso o site está implementando um novo modelo de jornalismo participativo: as sagas.

O que são sagas?

São assuntos que dizem respeito à milhões de pessoas ao redor do mundo, como, por exemplo, o Occupy Wall Street.

Segundo o próprio site, o objetivo é viabilizar a descentralização da notícia e promover a multiplicação das perspectivas e opiniões sobre o mesmo tema. Uma iniciativa mais do que necessária, num mundo dominado por redes de comunicação poderosas e hegemônicas.

Leia um exemplo de saga postada por Charles Eisenstein. Licença creative commons: Attribution, Noncommercial, Share Alike.

Quem criou o Cowbird?

Este é um projeto que vem sendo pensado desde 2009 por Jonathan Harris. Trata-se de um artista que, em seus trabalhos, combina elementos de diversas áreas: ciência da computação, antropologia,  fotografia, design, storytelling etc.

Ele já expôs no Moma; criou um lindo site, o We Feel Fine, que captura imagens e textos de blogs pelo mundo, em tempo real, seguindo algumas tags que envolvem arquétipos do tipo: feliz, triste, solitário, raiva, doente, ótimo etc. A partir desses dados, o site cria infográficos animados, utilizando variáveis como: local, humor, gênero e idade. Mas se você pensa que isso é tudo, se engana. Entre seus projetos estão o registro fotográfico da caça às baleias pelos esquimós e o retrato da felicidade no Butão (http://balloonsofbhutan.org/story.php#/stories/), que é, na minha humilde opinião, o projeto mais incrível.

Mas voltando à comunidade Cowbird: Como ela se mantém?

Trata-se de um projeto em fase inicial, beta. Por este mesmo motivo, não está claro como será seu modelo de negócio. De acordo com o FAQ do site, o objetivo é que o Cowbird se torne uma comunidade criativa e autossustentável.

Mas como ela se autossustentaria? Uma incógnita por enquanto. Amigos leitores, que pensam e querem criar novos modelos de negócio, fica a dica: acompanhar as soluções que Jonathan Harris pretende propor para o seu Cowbird! Será que teremos alguma inovação no mar de negócios para Internet?

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