Somos profissionais que precisam da interdisciplinaridade porque trabalhamos a partir da noção do todo da organização – seja esta governamental, privada ou terceiro setor. Gerimos e alinhamos discursos dos funcionários tendo a cultura organizacional como diretriz e desenvolvemos relações de confiança com os fornecedores.

A maioria dos RPs escolhem ou são escolhidos pela profissão sem saber o quão complexo e mágico é este mundo de relacionamentos e públicos. A princípio, todos sabem que o Relações Públicas cuida da imagem da empresa, faz assessoria de imprensa e eventos… Mas será só isso que nos motiva?

Não demora muito para percebermos que lidar com os tais stakeholders dá muito mais trabalho do que parece. É preciso fazer pesquisas, mapeamentos, analisar cenários, planejar ações estrategicamente, mensurar resultados. Hoje, existem as mais diversas bibliografias sobre cada um destes itens – muitas vezes emprestadas de outras áreas da comunicação e ciências sociais como marketing, publicidade, jornalismo, pesquisas sociológicas, estatística, ciências políticas, administração, psicologia, etc.

Somos profissionais que precisam da interdisciplinaridade porque trabalhamos a partir da noção do todo da organização – seja esta governamental, privada ou terceiro setor. Gerimos e alinhamos discursos dos funcionários tendo a cultura organizacional como diretriz e desenvolvemos relações de confiança com os fornecedores. Pensamos em como estar presente nas redes sociais engajando o público ao mesmo tempo em que aprendemos a ouvi-lo. Nos preocupamos com a comunidade atingida pelas atividades da empresa de forma socialmente responsável. Estabelecemos relacionamento com a imprensa para pautar agendas e reagir à opinião pública. Lidamos com o intangível para amenizar conflitos e ruídos de comunicação.

Tudo isso parece muito complexo e realmente é. Mas existe um processo inexplicável, como se passássemos por algum tipo de transformação silenciosa e, quando nos damos conta, praticar RP se torna intrínseco a toda e qualquer ação que planejamos. Vamos a exposições e logo procuramos quem está patrocinando e qual objetivo tem com isso. Assistimos a comerciais na TV, acompanhamos peças publicitárias e ações no Facebook notando as tendências do storytelling e da comunicação colaborativa, por exemplo. Participamos de shows musicais e, enquanto somos engolidos pelos patrocinadores, refletimos sobre o que isto influenciaria no valor agregado da marca e no relacionamento com determinado público. O ponto alto é aplicar esse olhar analítico da realidade e dos seus “atores” até mesmo na nossa vida pessoal!

Sou RP porque é tão desafiador quanto inevitável enxergar todas essas vertentes da comunicação, suas complexidades, a maneira como essa pode solucionar conflitos, agilizar fluxos e, principalmente, potencializar relações humanas.

Por Laís Camargo, estudante de Relações Públicas na ECA-USP e estagiária na The Jeffrey Group ­. Escreveu este texto ao Ideia como uma pequena homenagem à profissão que comemora hoje (02/12) o Dia Nacional das Relações Públicas.  

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Acredita que somente pessoas são fator de mudança. Fundador e Gestor do Ideia de Marketing, é consultor em marketing e branding.