Falar de ética é algo extremamente delicado. Eu acredito que cada um de nós tenhamos alguma passagem para descrever no qual presenciou ou até mesmo praticou uma atitude antiética, e isto nos marcou de alguma forma. Fato é que a ética, antes um assunto extremamente regrado, passa a correr livre sobre nossos atos e atitudes mais corriqueiras, e é algo que passa sabiamente a ser exigido, escancarado e divulgado, em veículos de comunicação que dão voz a particularidades e expectativas do grande público e caracterizam o relacionamento entre empresas, marcas, serviços e clientes.

 A ética passou a ser parte da qualidade de um produto como fator fundamental exigido pelo novo consumidor, aquele que investe, acredita e compra o seu serviço, independente do seu ramo é totalmente ligado ao valor e à qualidade.

Atualmente, ética se traduz em transparência, e não temos porque temer o termo, tão cheio de etiqueta e conceitos passados. É um exercício diário atingir o ápice da ética, pois justamente por estarmos em constantes ajustes é possível sermos cada vez mais justos, corretos. E isso é ético, e não um clichê do comportamento engomado.

O ser humano é por natureza egoísta, o que dificulta que sejamos “100% éticos”. No entanto, isto não nos impede de gerenciar nossos atos, treinar nossa razão e temperar nossa emoção a fim de responder uma única pergunta: “Será que o que eu estou fazendo agora eu gostaria que alguém fizesse para mim?” Esse é o primeiro passo.

Consideramos sim que todas as injustiças sociais, governamentais e até mesmo as mais próximas, organizacionais, por hora podem nos nublar a razão, nos trazer certo desânimo em lutar pela verdade. Mas se somos errantes, é porque viemos para aprender a acertar. Pequenas atitudes como evitar fofocas, apelidos maldosos, enrolar serviço, assédio dentro do ambiente de trabalho, desperdício de bens materiais, descompromisso com o cliente e suas expectativas, são atitudes que ultrapassam a falta de ética e passam a comprometer o lucro da empresa, lucro este que não é somente financeiro, é principalmente um retrocesso para toda uma equipe que certamente almeja o sucesso.

Sendo assim, a ética se resume em cuidar de nossas pequenas atitudes por um todo, é o pensamento coletivo que não visa subtrair ou dividir sua importância como indivíduo, mas sim somar e multiplicar suas competências. O consumidor é o nosso sucesso, dependemos dele para ampliar nossas possibilidades e criar novas oportunidades de crescimento, ele espera que acompanhemos a sua evolução sustentável e ética sendo unicamente sinceros, além de nossos produtos, dentro de nossos melhores esforços. Ainda que o todo pareça não se preocupar, e que os fatores estressantes que enfrentamos todos os dias agravem a situação (antiética), podemos e devemos insistir em fazer a diferença dia após dia. A recompensa é o alívio da consciência limpa e a sensação de dever cumprido, afinal, mentir para si mesmo é sempre a pior mentira, não é mesmo?

A voz da ética é justa e nos ensina que apesar da boa vontade, não podemos limpar o mundo todo de uma vez, mas podemos começar pela nossa calçada!